disseram-lhe que o mundo pertencia aos peixes graúdos e ele decidiu tentar a sorte. apanhou vários, mas achava sempre que podiam crescer mais e lançava-os de volta ao mar. não tinha culpa, era boa pessoa. um dia, um dos peixes que já era graúdo quando ele o atirou ao mar, voltou mais graúdo ainda e comeu-o.
desta vez foi ao contrário. o mar estava quieto, lá ao fundo e as rochas precipitavam-se em vagas que entravam pelo mar dentro. isto confundiu tanto os banhistas que foram-se todos embora. melhor. ficou a praia toda para mim.
não é sagres. é o cabo de são vicente, de onde os nossos navios verdadeiramente saíam quando iam atrás do mundo. das paredes lisas de pedra, abriam-se portas secretas por onde os navios saíam à noite, sem ninguém ver. até que um dia, um iluminado qualquer resolveu espetar com um farol no topo da falésia central e esse farol passou a iluminar os barcos que saíam. perdeu-se o efeito surpresa. acabaram-se os descobrimentos.